Elton Weber e Heitor Schuch

Em 2011, no 10° Congresso Estadual dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais, uma das deliberações foi exatamente a retomada e a reafirmação do Projeto Político do Movimento Sindical no sentido de trabalhar para a manutenção de uma cadeira na Assembleia Legislativa e a reconquista de outra na Câmara dos Deputados, em Brasília.


Assim, a Fetag e o conjunto do Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (MSTTR) saíram duplamente vitoriosos com a eleição de Elton Weber para deputado estadual, com 44.444 votos, e Heitor Schuch para deputado federal, com 101.243 votos. Abaixo, leia entrevista feita, pelo Jornal da Fetag, com ambos. 


Projeto Político sai duplamente vitorioso nestas eleições 

 

ELTON WEBER


Jornal da Fetag - O que a eleição de Elton Weber como deputado estadual representa para o movimento sindical e aos trabalhadores rurais? 


Elton Weber – Eu acredito que representa a concretização de um trabalho discutido, planejado e executado pelo movimento sindical nos debates do 10º Congresso Estadual da Fetag, bem como ao longo de dois anos com os dirigentes sindicais, nas regionais sindicais com os STR's e a direção da Fetag para que tivéssemos um pleito eleitoral com a participação de representantes do movimento sindical orgânicos de nossa estrutura e que conseguimos concretizar. Isto, no meu sentimento, representa uma grande vitória daquilo que se quis alcançar, se planejou, se tinha como uma pauta importante e se realizou. Tanto para deputado estadual como para federal. E o meu nome e o de Heitor Schuch foram os escolhidos. Portanto, também nos sentimos vitoriosos pelo passo importante que demos na história do movimento sindical e que deve ser compartilhado com todos que ajudaram e foram atores nesse processo e conquista. 


Jornal da Fetag  – O senhor esperava uma votação tão expressiva: 44.444 votos e o seu colega Heitor Schuch com 101.243 votos?


Weber – O planejado era que fizéssemos 40 mil votos, mas sabendo que, com menos votos, certamente, conseguiríamos alcançar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Da mesma forma, também planejado, os 100 mil para o Heitor. Superamos em ambos os casos. Creio que nenhum de nós esperava uma expressiva votação dessa forma, porém, sabíamos que o potencial do MSTTR é sim de fazer isso. E os números, mais uma vez, provaram que aquilo que nós precisamos fazer, quando nos organizamos, planejamos e todos pegam juntos – municípios e dirigentes sindicais – dentro das possibilidades de cada um, se viabiliza. Logicamente, ainda, tivemos o apoio de outras pessoas, não ligadas diretamente ao movimento sindical, mas que simpatizam e acreditam no trabalho dos sindicatos, da Fetag e do MSTTR. Então, surpresa sim, mas positiva.

    

Jornal da Fetag – A sua promessa de campanha é defender a agricultura familiar e ser uma extensão da Fetag no Parlamento gaúcho. No que o senhor pretende trabalhar de forma mais imediata, ou seja, quais as prioridades dos nossos agricultores familiares?


Weber – Nós vamos fazer aquilo que conversamos durante a campanha. Sermos os representantes da pauta do MSTTR na Assembleia Legislativa e o Heitor Schuch, da mesma forma, lá em Brasília. Ela foi discutida nos STR's, nas regionais, na Fetag e junto com a Contag. Essa promessa ou melhor, o compromisso de campanha, vamos manter. E por onde começar? Naquelas questões mais importantes no momento, por exemplo: habitação, certamente vai merecer atenção no sentido de continuidade; a reforma agrária, o acesso à terra e o crédito fundiário serão trabalhados com mais força em Brasília do aqui no Estado, porém vamos ter que fazer essa ligação; a infraestrutura no meio rural – estradas, luz, internet, telefone, educação – igualmente levaremos ao Parlamento para que sejam criados programas ou regras que coloquem isso tudo mais presente no campo. Para tanto, vamos ter que contar com o apoio do nosso movimento sindical. A pauta é a que o MSTTR tem debatido e diria que a maioria dos assuntos já estão colocados. Temos apenas que buscar essa pauta, que já existe e temos acesso e não precisamos inventar qualquer assunto novo para iniciar esse trabalho. 


Jornal da Fetag – O senhor acredita que é possível melhorar a vida das pessoas através da política?

 

Weber – Eu não só acredito como tenho convicção disso. E o Projeto Político discutido no MSTTR de termos representantes nas esferas onde se fazem leis e regras é com esse objetivo. A política para valer a pena tem que ser para melhorar a vida das pessoas. E é esse o nosso grande objetivo resumindo toda a questão de pautas e de assuntos que temos pela frente a levar para serem debatidos, discutidos, aprovados e implementados para a melhoria da qualidade de vida e de renda das pessoas que moram no meio rural.   


Jornal da Fetag – A responsabilidade agora é maior para o movimento sindical, já que teremos representantes nas duas maiores esferas de poder. De que forma o senhor pretende trabalhar para corresponder à expectativa de seus 44.444 eleitores?


Weber – Vamos trabalhar conforme diz a própria missão da Fetag, ou seja, a partir dos problemas sentidos e vividos. Alguns exemplos já colocamos anteriormente, como a infraestrutura, o crédito fundiário, a habitação, enfim todos esses temas relacionados à renda e às políticas públicas. E de que forma vamos fazer isso? Da mesma maneira como trabalhamos no movimento sindical, isto é, a partir da discussão feita nos municípios, na regional e na Fetag se definem pautas, ações, estratégias e atividades. Nós entendemos que como vamos ter esses gabinetes como extensões da Fetag e do movimento sindical – seja aqui ou em Brasília – trabalharemos dessa forma. A partir daquilo que for demandado pelos nossos STR's e agricultores familiares do RS. E esperamos que essa nova experiência seja exitosa e de nossa parte não faltará o empenho para que isso aconteça. Quero, mais uma vez, repetir: mantendo muito perto nosso trabalho com as atividades sindicais.  


Jornal da Fetag – O que o senhor tem a dizer a seus eleitores?


Weber - Em primeiro lugar, agradecer e dizer um muito obrigado a todos os homens e mulheres de nossa categoria que ajudaram nesse projeto e nessa proposta de eleger um deputado estadual e um deputado federal. Eu sei que são centenas ou talvez milhares de agricultores e dirigentes sindicais que se envolveram e em nosso nome – Elton e Heitor – foram pedir votos para um vizinho, um amigo ou um parente, ligaram para outros municípios solicitando apoio a nossa proposta. E, com certeza, teremos resultados que aparecerão com esse trabalho. A exemplo do que fez Vicente Bogo, quando estava lá no Congresso Nacional na Constituinte; Ezídio Pinheiro com as políticas públicas e a criação do Pronaf; Heitor Schuch com o 1º Crédito para a Juventude e o Protetor Solar. Então, queremos honrar, sim, os 44.444 votos com trabalho, dedicação e as visitas que faremos ao longo do mandato.       


HEITOR SCHUCH


Jornal da Fetag – A Fetag e o conjunto do movimento sindical desde 2002 o elegeu como deputado estadual, portanto três mandatos. E agora, além de manter a cadeira conquistada na AL, temos uma que o senhor ocupará em Brasília. O que isso representa para o movimento sindical e aos trabalhadores rurais?  


Heitor Schuch – Em primeiro lugar, acho que conseguimos contemplar um sonho do movimento sindical com mais de 20 anos, que era de construir uma dobradinha: ter um deputado federal e um deputado estadual. Em segundo lugar, ninguém é candidato de si próprio, ou se é candidato de um setor, de um segmento ou de um projeto. E nós somos frutos desse projeto de organização e de luta do nosso movimento sindical. Eu estou convencido de que essa foi a vitória daqueles que acreditam que a política pode trazer coisas boas para a nossa categoria. Foi assim com Vicente Bogo, na questão da Previdência, com Ezídio Pinheiro no Pronaf e no Banco da Terra, e conosco na Assembleia com o que conseguimos fazer, quanto mais gente envolvida nesse processo, certamente, maior serão os frutos de homens e mulheres que lutam diuturnamente para se manter na atividade, para gerar renda e que, portanto, o nosso projeto é um complemento daquela luta do cotidiano de cada sindicalista que briga para que seus colegas de profissão tenham dias melhores e possam continuar em sua atividade.   


Jornal da Fetag – O seu trabalho em defesa do agricultor familiar lhe credenciou para superar os 100 mil votos?


Schuch – Eu acho que é somatório de muitas coisas que aconteceram. O movimento sindical foi o pilar principal, sem dúvida nenhuma, mas também somamos votos de outras categorias profissionais com quem dialogamos e trabalhamos, em especial àquelas que têm relação com a política do piso salarial. E nesse somatório precisamos agradecer e somos muito gratos a tantos quantos nos ajudaram. As pessoas não votaram no Heitor, mas sim em um projeto, que tem diversas propostas nas questões de Previdência, de orçamento, de agricultura, de desenvolvimento, de infraestrutura, que são o carro-chefe dessa nossa organização e que, portanto, agora poderão ser implementadas nesse período de quatro anos.  


Jornal da Fetag – O 1° Crédito para a Juventude Trabalhadora Rural foi uma das suas primeiras vitórias no Parlamento gaúcho e mais recentemente a Lei do Protetor Solar. Como o senhor classifica essas duas conquistas?


Schuch – O 1° Crédito, por ter sido a primeira, a gente nunca esquece e sempre é a mais importante. O Protetor Solar, talvez, pela sua abrangência, já que estamos dialogando com o tema da saúde. E é muito bom termos vida com saúde. Uma pessoa doente está fragilizada e não consegue trabalhar. Eu acho que o grande resultado do protetor solar vamos alcançar, quem sabe, daqui há 15 anos, quando os índices de melanoma (câncer de pele) diminuírem. Aí sentiremos na prática o efeito de uma lei que nós levamos oito anos para instituir, convencer o governo e que talvez levaremos mais oito ou 15 anos para fazer o efeito em nossa sociedade e que, certamente, muita gente vai poder produzir e trabalhar com saúde, longe da doença e do câncer. E esse pouco investimento que o governo vai fazer nessa lei, com certeza, terá resultados multiplicados para muita gente.      


Jornal da Fetag – De que forma vai funcionar a dobradinha Weber – Schuch?


Schuch – Nós vamos combinar as ações e atividades. Temos que ter muito claro de que cada um tem a sua pauta durante a semana nos Parlamentos Estadual e Federal. Ao mesmo tempo, sabemos que haverá inúmeros eventos, embates e discussões onde estaremos juntos, de braços dados, inclusive com outros parlamentares que tenham a mesma origem que nós para ajudarem a Contag e a Fetag a construir os projetos, propor isso aos governos, convencer os parlamentos da importância e assim garantir que isso se transforme em políticas públicas. De nada vai adiantar um mandato federal e outro estadual se não conseguirmos convencer outros parlamentares a vir conosco para aprovar os projetos que estão vindo de nossa base e fazer com que isso seja o diferencial. É bonito falar de sucessão rural, mas o jovem tem hoje muitas opções para ir embora. Portanto, para mantê-lo, nós precisamos garantir que ele tenha renda, condições de trabalho e que a infraestrutura necessária para tal funcione e que quando chegar na idade de se aposentar tenha Justiça que hoje a Previdência Social não tem.           


Jornal da Fetag – Que demandas o senhor considera prioritárias para levar a Brasília?

 

Schuch - Nós estaremos de plantão em Brasília fazendo daquele gabinete uma embaixada da nossa agricultura familiar e dos assalariados rurais, bem como do Rio Grande do Sul. Não há dúvida de que estaremos bastante atentos com o que acontece na agricultura, na questão da infraestrutura e na Previdência Social. Não podemos perder os direitos que conquistamos nas políticas públicas ou sequer os programas. Além disso, precisamos avançar a passos largos para que os mais novos se sintam motivados a permanecer na atividade rural. Até por que o setor agropecuário é quem tem trazido dividendos novos para o Brasil e, consequentemente, superavit primário. Portanto, estaremos lá prontos para discutir os temas desse setor dentro do Congresso Nacional e junto ao governo federal.


Fonte: Jornal da Fetag - outubro de 2014