Rosane Simon é vereadora de Ijuí e presidenta presidenta do Sindicato dos Empregados no Comércio de Ijuí.

Líder feminista, sindicalista e vereadora. No mundo sindical, no meio político e na sociedade em geral, a gaúcha Rosane Simon tem contribuído de maneira firme para combater as desigualdades de gênero. Na condição de vereadora pelo PCdoB em Ijuí (RS) e presidenta  do Sindicato dos Empregados no Comércio na mesma cidade, essa luta tem se tornado cada vez mais abrangente, de modo a torná-la uma  referência para as mulheres de sua região. Nesta entrevista à revista "Mulher D'Classe", da Secretaria da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Rosane Simon, que também ocupa a segunda vice-presidência da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecosul), analisa a evolução da mulher nas disputas eleitorais, o papel dos partidos nesse processo, as dificuldades encontradas para que as barreiras da desigualdade de gênero sejam rompidas e como essa luta também se dá no meio do movimento sindical. Confira abaixo a conversa: 


Mulher D’ Classe – Em 2012 comemoramos 80 anos do voto feminino e houve eleição municipal. Observando os dados estatísticos  do Superior Tribunal Eleitoral, percebe-se um acentuado crescimento da participação feminina na disputa eleitoral: em 2008 foi de 21,9% e em  2012 chegou a 31,5% do total de candidaturas, um aumento de 9,6%. Na eleição de 2012 foram eleitas 7.648 mulheres para as câmaras municipais, equivalente a 12,5% do total. A que fatores você atribui tal crescimento? 


Rosane Simon – Apesar da longa caminhada de luta das mulheres, em relação à história da humanidade esta luta é ainda muito recente. A partir da conquista do voto, que foi um marco 

na história da mulher como sujeito político, não houve políticas públicas de inclusão da mulher e  de combate à discriminação e à violência, questões que ainda hoje permeiam o nosso debate. Na última década, iniciamos a conquista de Leis que avançam na questão da inclusão e que ajudaram no crescimento tanto das candidaturas como na eleição de mulheres. As políticas sociais e de desenvolvimento implementadas por Lula e Dilma melhoraram a condição de vida de todos os trabalhadores, o que também gerou efeitos positivos para a luta de gênero e a participação das mulheres nesta luta. Com a melhora da qualidade de vida do povo, há, cada vez mais, a inserção no mercado de trabalho, no acesso a melhores serviços públicos de educação, saúde, habitação e esporte e lazer. Se a vida melhora, há mais tempo para debate das questões coletivas, seja na escola, no sindicato, em associações de bairro, etc.


Mulher D’ Classe – Qual sua opinião sobre a lei 12.034/09, que substituiu o termo “reservar” por “preencher” as listas de candidaturas dos partidos políticos com 30% de mulheres e instituiu  a obrigatoriedade da utilização de 5% do fundo partidário para formação política das mulheres?


Rosane Simon – Creio que essa substituição foi fundamental, pois compromete os partidos em ampliar os espaços de ação para as mulheres, permitindo inclusive sua formação, ajudando-as a conhecer sua realidade e como enfrentá-la. Mas é necessário avançar ainda mais, principalmente na luta político-institucional. A carta aprovada na 2ª Conferência Nacional do PCdoB Sobre a Emancipação da Mulher, intitulada “O Brasil para as brasileiras”, deixa claro que o sistema político brasileiro é limitado e por isso agrava os obstáculos de inserção das mulheres na política. Nesse sentido, o texto diz que é “premente a necessidade da diminuição da força do poder econômico com o estabelecimento de financiamento público de campanha e para a realização de uma Reforma Política que garanta lista partidária pré-ordenada com alternância de gênero”. 


Mulher D’ Classe – No mundo do trabalho, assim como na política e na sociedade em geral, as mulheres vivenciam atos de discriminação de gênero. Na atualidade, as mulheres são mais de 40% da População Economicamente Ativa (PEA) e têm maior grau de escolaridade que os homens, mas recebem salários menores e ocupam menos cargos de comando nos locais de trabalho. Como isso se traduz na experiência parlamentar?


Rosane Simon – O parlamento é um retrato desta desigualdade, pois repete este padrão de 

comportamento e carrega consigo essa herança de preconceito e da discriminação às mulheres. Assim, carrego para o parlamento e vivo dentro dele todas as angústias e sofrimentos que, como mulher, trabalhadora sindicalista, enfrento em meu dia a dia. Ao mesmo tempo, me sinto feliz e recompensada em ocupar este espaço e nele reproduzir e ampliar a nossa luta, demarcando as nossas demandas, conquistas e direitos e trabalhando para que o parlamento tenha um olhar mais amplo, não só sobre a questão da mulher, mas também sobre os trabalhadores, aposentados, para a juventude e contra todo e qualquer tipo de discriminação.


Mulher D’ Classe – Como você descreve a ligação de seu mandato com o movimento sindical e a luta das mulheres?


Rosane Simon – Me elegi vereadora em 2008 pela primeira vez e fui reeleita agora para mais um mandato. Antes disso já atuava como sindicalista e no movimento feminista. Pauto meu trabalho aliando a experiência nessas duas lutas e na relação delas com a sociedade, atuando e participando, por exemplo, dos Conselhos Municipais (saúde, habitação, desenvolvimento e do conselho da mulher). A minha militância como sindicalista e no movimento de mulheres foi muito importante para me mostrar onde pautar minhas ações como vereadora do povo. Juntamente com nossa Federação (Fecosul) e central sindical (CTB) e junto com meu partido, o PCdoB, trilhamos nosso cotidiano sempre em busca de melhores dias para trabalhadores e trabalhadoras.


Mulher D’ Classe – No dia 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher, o que as mulheres têm para comemorar?


Rosane Simon – Temos para comemorar neste dia 8 de março uma mulher na Presidência do Brasil, temos para comemorar uma Lei Maria da Penha que resgata a dignidade da mulher, o ingresso de mais mulheres nos espaços de poder, mas ainda temos muito a debater, a exigir, pois queremos um mundo de igualdade e sem opressão, onde todas as mulheres possam usufruir do fruto do seu trabalho e serem muito felizes. Por tudo isso, temos que comemorar principalmente o fato da nossa luta estar de pé. O fato de que a cada dia, mais e mais mulheres e homens compartilham e tomam consciência da necessidade de emancipação do ser humano em nossa sociedade.