Desde o ano de 2000, o último dia do mês de fevereiro, é considerado Dia Internacional do Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Ósteo Musculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Trata-se de um marco de extrema relevância. Foi a primeira vez na história que uma doença profissional (LER) passou a ser considerada como questão de saúde pública mundial.

As LER/DORT decorrem da intensificação e compõem um conjunto de inflamações que ocorrem basicamente por sobrecarga de trabalho, ambiente de trabalho desconfortável (muito seco, muito frio, muito quente, pouco iluminado, barulhento, apertado etc.) e por movimentos manuais repetitivos, continuados, rápidos ou vigorosos, durante um longo período de tempo.

Bernardino Ramazzini, médico italiano, considerado o pioneiro dos estudos de Saúde do Trabalhador, já no início século XVIII, identificou o que chamou de “doença dos escrivães”.

O ambiente de trabalho é, comprovadamente, um causador deste tipo de doença. Estudos apontam que o ritmo intenso de trabalho, a pressão implícita ou explícita para manter este ritmo, as metas estabelecidas, sem a participação dos trabalhadores e impossíveis de serem cumpridas, o incentivo à maior produtividade por meio de diferenciação salarial e prêmios, induzindo as pessoas a ultrapassar seus limites, a pressão, o autoritarismo, execução de grande quantidade de movimentos repetitivos em grande velocidade são apontados como responsáveis pelo aumento dos casos LER/DORT.

Essa é uma realidade tanto do setor público quanto do setor privado, e fruto da exploração imposta pelo sistema capitalista, garantida pelos governantes e empresários.

E as mulheres são mais propícias a adquirir diversas doenças e se pensarmos o porquê está sujeita às condições impostas pela sociedade capitalista. Ler/Dort, depressão, estresse, doenças físicas e psíquicas, frutos da tripla jornada de trabalho, estão entre as principais formas de adoecimento da trabalhadora brasileira.

Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE, mostrou que em 2013, 3.568.095 trabalhadores disseram ter tido diagnóstico de LER/DORT. 

Tal tema agrava-se quando vivenciamos uma crise estrutural do capitalismo, que se renova através de políticas neoliberais e, neste cenário, se destina a sustentar a continuidade da acumulação do capital, e não às necessidades sociais do trabalho. Como se trata de um sistema de exploração do trabalho, o ônus da crise recai fundamentalmente sobre o trabalho, jogando para a classe trabalhadora o ônus deste processo.

No Brasil, neste momento, estes fatos têm se concretizado com alterações na Constituição Cidadã de 1988, como a imposição do limite de gastos, desmontando a Seguridade Social e o Trabalho; as propostas da Reforma da Previdência e Trabalhista, que impõem às trabalhadoras e aos trabalhadores a um regime de escravidão.

Esta conjuntura nos exige lutar pelos direitos, com unidade, colocando-se claramente contra perda de direitos sociais, a terceirização e outras formas de precarização do trabalho, a reforma da previdência e trabalhista, por tratarem não apenas por perdas de direitos, mas de determinantes da degradação da saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores.