Por Abigail Pereira, vice-presidenta do PCdoB-RS e primeira secretária de Mulheres da CTB.

É duro dizer isso nas proximidades do 1º de Maio, mas o trabalhador brasileiro vale muito pouco para os governos de Temer, Sartori e Marchezan.

A farsa de que a reforma trabalhista traria mais emprego e dinamizaria o mercado foi descoberta antes do que imaginava; a nova lei já deixou claro que seu único propósito é retirar direitos, diminuir a renda do povo e aumentar os lucros do patronato.

No primeiro trimestre de 2018,o desemprego, segundo o IBGE, cresceu, atingindo 13,1% da população (13,7 milhões de pessoas). O número de carteiras assinadas no setor privado foi de 32,9 milhões, um dos menores níveis. Em contrapartida, o trabalho intermitente teve saldo de mais de 3 mil postos somente em março.

Dados também do IBGE mostram que em 2017 o trabalhador empobreceu, com uma queda de 0,56% de seu rendimento mensal. E a diferença salarial entre o 1% mais rico e os 50% mais pobres é de 36 vezes. Como se não bastasse tudo isso, a Medida Provisória que tornava a reforma “menos pior” para o trabalhador caducou, aumentando a insegurança.

No Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, esta realidade também está posta, com características locais igualmente ruins. Sartori aposta em um acordo absurdo com a União para recuperar as finanças do Estado e quer vender parte do patrimônio dos gaúchos, ao mesmo tempo em que o RS segue sem investimentos, piorando a economia, e o governo faz malabarismos para pagar os servidores que vivem na corda bamba sem saber direito se terão seus salários pagos integralmente. Em Porto Alegre não é diferente: Marchezan aposta numa política de precarização dos serviços e desrespeito aos servidores e aos cidadãos.

Neste cenário, é preciso reafirmar que nossa classe trabalhadora merece ser valorizada porque está em suas mãos o nosso desenvolvimento. Para superar este cenário, é imprescindível união e mobilização no 1º de Maio e sempre que houver atos e manifestações, para mostrar nossa insatisfação e desejo de mudança no sentido do desenvolvimento com geração de emprego, distribuição de renda, garantia de direitos e justiça social.