O pacote do Governo Sartori demonstra sua falta de comprometimento com um projeto de desenvolvimento para Rio Grande do Sul. Ao extinguir fundações estratégicas, abre mão de instrumentos essenciais para que o Estado possa ter todo um sistema de pesquisa, estudos, conhecimento e de planejamento. Isto faz parte do pensamento neoliberal, de estado mínimo. Todo esse conhecimento deixa de ser uma propriedade do Estado passando a ser da iniciativa privada que vai conduzi-lo de acordo com seus interesses, não de acordo com os interesses do estado.

A extinção das fundações irá acentuar o nível de desemprego no estado, diretamente pelos 1,2 mil empregos extintos, e de forma amplificada, com a redução de empregos nos setores assessorados direta e indiretamente por estas fundações. Isso terá impacto direto na distribuição de renda e no crescimento econômico do Estado. Como se isto não bastasse, a ofensiva do Governo Sartori se estende contra os direitos dos demais servidores, ao implementar políticas de parcelamento do 13º salário além do ano em curso,  e propor o pagamento dos salários até o dia 20 do mês subsequente.

O argumento dado à sociedade é que essas propostas do governo vão resolver os problemas do estado, que hoje tem um déficit de 3 bilhões/ano, segundo o governo, se reveste numa grande mentira. O governo Sartori se nega a adotar medidas que resolvam de fato o problema das finanças gaúchas, quando não propõe quaisquer medidas para diminuir a sonegação fiscal do RS que perdeu 6,9 bilhões este ano, segundo dados da AFOCEFE. Há também os incentivos fiscais, mais 9 bilhões por ano, que da forma como estão sendo feitos hoje, não tem dado retorno para receita do estado e geração de emprego, como esperado e precisam ser revistas.

A Praça da Matriz transformou-se num grande campo de batalha, pelotão de choque, gás lacrimogêneo, balas de borracha, cavalaria, houve um grande sítio à Assembleia Legislativa, algo jamais visto na história do estado, onde centenas de policiais estiveram reprimindo de forma violenta e covarde os servidores que ali marcavam seu protesto à imensa falta de diálogo e coerência. Isso demonstra o tipo de comportamento que teremos pela frente. Esse é um governo que não busca o diálogo e sim a imposição pela intolerância e repressão. Precisamos nos organizar, fortalecer e ampliar nossa união para enfrentar essa nova ofensiva de criminalização dos movimentos sociais.

Por fim, contando que o governo terá uma economia anual de mais de 3 bilhões,  com a suspensão por três anos do pagamento dos serviços da dívida pública com a união, que corresponde quase ao total do déficit anual, não há motivos justificáveis para serem tomadas medidas tão amargas. A CTB acompanhou diretamente todas as manifestações tanto na Praça da Matriz, quanto dentro da Assembleia. Tentamos construir saídas alternativas, as quais não frutificaram, já que infelizmente o Governo Sartori pautou-se pela arrogância e pela falta de diálogo, quer seja com os deputados, quer seja com os servidores.

2017 será um ano de muitas lutas e enfrentamentos, no estado e no país, e para tanto teremos que construir uma trincheira de resistência, mais ampla possível, para que possamos segurar esta onda neoliberal que assola os trabalhadores do Rio Grande e do Brasil.

**Guiomar Vidor é presidente da CTB-RS e da Fecosul