O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região e o patronal (SIMECS) se encontraram mais uma vez diante do Desembargador Ricardo Carvalho Fraga, no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto alegre, nesta sexta-feira (31), para a terceira e última audiência de mediação da Convenção Coletiva da categoria. O turno 6x2, até então condição indispensável dos patrões para fechar o acordo em troca da manutenção das cláusulas sociais por dois anos e o índice de reajuste de 2.8%, foi retirado da pauta nessa décima reunião. O turno foi debatido, incansavelmente, ao longo de nove encontros, sendo sete deles entre os sindicatos em Caxias do Sul e outros dois no Tribunal.

“Desde o início das negociações, o patronal condicionou o fechamento do acordo a inúmeros retrocessos. Na pauta dos patrões constavam trabalho aos sábados e domingos, turno 5x1 e 6x2, jornada compensada, semana espanhola, entre outros. O turno 6x2 chegou a ser a maior imposição dos patrões para encerrar as negociações, mesmo a categoria rejeitando em assembleia. Fomos categóricos todas as vezes, ressaltando que a decisão da nossa assembleia é soberana. Se a categoria não aceita o turno, ele não pode ser imposto pelo patrões. Conseguimos retirá-lo da pauta, através de muita luta. A unidade da categoria e a pressão nas fábricas foram decisivas para que o turno 6x2 não fosse implantado. No entanto, eles impuseram outra imposição de compensação de horas. Isso demonstra que eles não têm interesse em fechar o acordo”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani.

Impasse


Chegou-se ao consenso do índice de reajuste salarial de 2.8% retroativo a data-base (01 de junho), manutenção das cláusulas sociais por dois anos (a Convenção Coletiva tem cerca de 70 cláusulas), evitar que gestantes e lactantes trabalhem em locais com manuseio de produtos químicos (item insistentemente defendido pelo Sindicato dos Metalúrgicos), ressalva de compromisso de busca de órgãos públicos visando a criação de mais vagas em creches próximas as empresas, horas extras (100%) pagas em sábados, domingos e feriados, metade das horas trabalhadas de segunda a sexta-feira pagas e a outra metade levada a banco de horas (no máximo 20 horas) para ser apurada no período de quatro meses, feriados podem ser trocados mediante votação dos trabalhadores com exceção do Natal e Ano Novo.

Inicialmente, os patrões propuseram banco de horas sem limitador e pelo período de um ano. “Não aceitamos essa proposta e conseguimos avançar para meio a meio, além do pagamento nos finais de semana e feriado”, ressaltou o presidente.

O impasse ficou na questão da compensação do saldo devedor de horas aos sábados. “Mais uma vez os patrões emperraram o acordo. Nada é fechado porque eles querem escravizar os trabalhadores, tirando o descanso e o lazer da categoria. Os patrões não querem fechar o acordo, todas as vezes colocam imposições inegociáveis”, registrou Monsani.

Esta foi a última reunião mediada pelo TRT. As partes têm cinco dias para se manifestarem sobre a possibilidade de acordo, caso contrário o processo é arquivado e segue para julgamento.

Alerta

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos faz um alerta aos metalúrgicos e metalúrgicas: “Os patrões viram as costas para os trabalhadores. Pensam somente no lucro. É hora de reagirmos! Nós, trabalhadores, que determinamos o ritmo da produção. Nós controlamos as máquinas! Os patrões vão respeitar e valorizar a categoria, que gera a produção qualificada e o lucro das empresas, quando pararem as máquinas!”, frisou Monsani.

Foto: Uliane da Rosa