Por considerar os maus-tratos aos idosos um problema global, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 15 de junho, em 2006, como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

O problema ganha realce no Brasil porque a população idosa cresce com o aumento da expectativa de vida de 30 anos em relação a 1940 e hoje ultrapassa os 75 anos de idade. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que número de brasileiros com mais de 60 anos chegou aos 30,2 milhões em 2017. Em 2012, eram 25,4 milhões. Isso mostra um crescimento de 19% na pópulação de idosos em cinco anos.

E se o crescimento da população idosa e a taxa de fecundidade se mantiverem no ritmo atual, em 2031, o número de idosos será maior do que o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. A estimativa é do demógrafo, ao jornal O Globo, Jose Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Estatísticas do IBGE.

“Com o crescimento do número de idosos, os problemas se avolumam numa sociedade despreparada para os cuidados necessários a esse contingente populacional”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

Ela se refere aos dados do Disque 100 (onde se denuncia violações aos direitos humanos), onde a negligência foi alvo de 77% das denúncias somente em 2017, 51% foram de violência psicológica, 38% de abuso financeiro e 26% por violência física.

Mas a violência já começa institucionalmente. “Temos uma aposentadoria muito aquém das necessidades dos aposentados”, reforça Arêas. Isso porque entre os pouco mais de 19 milhões de aposentados e pensionistas, 70% recebem um salário mínimo por mês, que com o governo Temer está sendo desvalorizado barbaramente.

Um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que 33,9% dos aposentados continuavam trabalhando em 2016. Porque para 46,9%, a renda é insuficiente por isso precisam continuar trabalhando.

De acordo com o pesquisador Alexandre Correa Lima, especialista em Economia da Longevidade, o envelhecimento está sendo um desafio ao Brasil porque a população envelhece num país ainda pobre.

Por causa das dificuldades e preconceitos enfrentados por uma sociedade habituada ao conceito de “juventude permanente”, foi criado em 2003, o Estatuto do Idoso para assegurar segurança aos mais velhos.

O art. 2º do Estatuto afirma que aos idosos devem ser garantidos “todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana” e “todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

Já a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada em 2006, pelo Ministério da Saúde, pretende garantir “a promoção do envelhecimento ativo e saudável”. Só que para isso ocorrer, é necessária "a criação de leis que amparem a velhice”, define Arêas. “E com esse governo toda a população está desamparada porque sua política visa beneficiar somente o capital em detrimento da maioria da população, inclusive os idosos”.

Para ela, “é fundamental a criação de uma consciência nacional em defesa dos direitos dos mais velhos e de um grande trabalho de educação para superar os preconceitos. Coisa de velho é viver com dignidade como qualquer ser humano”.

Fonte: Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB