Segundo painelista da 9 Plenária Estadual da Fecosul, neste dia 7, Marcelo D'Ambroso, desembargador do TRT4, faz panorama geral da conjuntura política e jurídica brasileira atual e trata das convenções coletivas e do papel do sindicato frente a essas mudanças.

D'Ambroso inicia sua intervenção tratando da greve dos caminhoneiros e seus reflexos na vida da população. Destaca, ainda, o posicionamento da mídia neste momento. "A gente não pode ignorar o papel manipulador da mídia com relação a essa greve. Já vivemos isso no Brasil e em outros países, em períodos pré-ditadura. Mídia e conservadores criam o fato 'o Brasil não tem mais jeito, precisamos de socorro' e, assim, justificam a intervenção militar. E aí estaremos, mais uma vez, num estado de exceção", apontou.

Esse mesmo discurso de crise, de acordo com o desembargador, foi o pano de fundo da reforma trabalhista. "O discurso reformista se alimenta da crise. No Brasil, Temer copia a reforma trabalhista aplicada na Espanha e, em troca, amplamente divulgado pela mídia, recebe mais investimentos dos espanhóis. Os trabalhadores são prejudicados nessa troca de favores entre os dois países", denuncia.

D'Ambroso, com relação a reforma trabalhista brasileira, ainda declara o ataque contra o movimento sindical que a mesma propõe. "A reforma trabalhista brasileira quer discutir representação sindical, mas, ao mesmo tempo, tira o custeio das entidades. Isso é uma falácia", aponta.

Por fim, o desembargador trata das mudanças legais no mundo do trabalho após a reforma e aponta as inconstitucionalidades e aquilo que precisa ser questionado.

Texto: Juliana Figueiró Ramiro
Foto: Rodrigo Positivo