O maior consenso entre os palestrantes do Seminário Indústria 4.0: O Futuro do Emprego, que ocorreu na noite desta quarta-feira, 08 de maio, no UCS Teatro, foi em relação à educação. Eles foram enfáticos para ressaltar a importância do estudo e da qualificação no ambiente da quarta revolução industrial.

Sob o tema O emprego no Passado e no Presente, o professor doutor em Ciência Política João Inácio Pires Lucas fez uma análise histórica sobre a preocupação com o futuro do emprego. “Essa preocupação não é de hoje porque o mundo do trabalho já vem desaparecendo há muito tempo. Se observarmos, nos anos 70 do século XX, o emprego/ocupação passou de um fazer/saber artesanal para uma rotina de tarefas especializadas e administradas cientificamente. A partir de 70, começou a ser transformado pelas novas formas de gestão e organização, mudando ritmos e padrões de trabalho”. Sobre a indústria 4.0, o professor afirmou: “o desafio para os trabalhadores é a qualificação”.

“O debate sobre a substituição de homens por máquinas ocorre desde a 1ª Revolução Industrial.” Foi o que avaliou o segundo palestrante da noite, David Fialkow Sobrinho, que abordou o tema O emprego no futuro. O Mestre em Economia defendeu o estudo como única saída para o trabalhador conseguir se inserir na próxima fase da indústria. “O trabalhador vai ter que passar a vida estudando. As pessoas vão ter que aprender a aprender.” Sobre o papel do governo, David acentuou que “no Brasil, a saída possível é a união em torno de um novo projeto nacional de desenvolvimento, com decisão estratégica de fortalecer a indústria”.

Já o Doutor em Engenharia de Produção, professor Gabriel Vidor, explicou os pilares tecnológicos da evolução da Indústria 4.0, como, por exemplo, simulação, sensoriamento, captação de informações e gestão de informações, também avaliou como o mundo está se preparando para a próxima revolução industrial e falou sobre o impacto nos empregos salientando a importância do estudo. “A Indústria 4.0 vai afetar 40% dos trabalhadores. Haverá emprego somente para 60%. Será necessário ser um profissional mais qualificado. A pergunta que tenho que fazer é: ‘estou preparado?’ Só há uma solução: baixar a cabeça e aprender”, frisou o professor.

O Sindicato

Promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pela Universidade de Caxias do Sul, o Seminário reuniu estudantes e trabalhadores da indústria. O presidente da entidade, Assis Melo, destacou a extrema importância do tema Indústria 4.0 para discutir as relações de trabalho diante do avanço tecnológico e o futuro do emprego das novas gerações.

Questionado por um participante do público "se o Sindicato vai ter algum papel na Indústria 4.0", o presidente rconcluiu que "o Sindicato já está presente nessa revolução, como sempre esteve em todos os momentos desde que foi criado. Esse momento, esse seminário, é uma prova que estamos inseridos e atentos à Indústria 4.0, tanto para aprender quanto para repassar o conhecimento".

Fotos: Uliane da Rosa