O Presidente da CTB RS, Guiomar Vidor, participou da mesa de abertura no segundo dia do seminário promovido pela Federação dos Sindicatos dos Servidores Municipais do RS, Fesismers, compondo a mesa de debates ao lado de Norton Juberli, presidente da UGT e do presidente da Federação Luis Claudiomiro de Quadros, o Chicão. Vidor fez uma análise da conjuntura política do país neste período pós eleição.
Segundo Vidor, o período após o golpe de 2016 (Temer/Bolsonaro) foi marcado pela maior regressão em direitos já vista no Brasil, como a Emenda Constitucional 95, e as reformas trabalhista e previdenciária. Ele destacou ainda que "o negacionismo em relação à ciência e o consequente atraso na compra de vacinas agravou muito a situação econômica do país, provocando o fechamento de 1,2 milhão de pequenas e médias empresas."

Disse ainda que "de 2016 até agora, vivemos um período de estagflação, ou seja, baixo crescimento econômico, inflação e alta do custo de vida. A falta de trabalho para mais de 10 milhões de Trabalhadores e trabalhadoras, em 2018 (fim do Governo Temer) eram 11 milhões e hoje já são 33 milhões de pessoas passando fome, fora o desmonte do Estado com as privatizações e das bases econômicas e sociais. Esse é o Brasil deixado por Bolsonaro."

Sobre as tentativas golpistas, Vidor avalia que elas preocupam, mas não devem reverter o resultado, já que a frente ampla construída por Lula inclue posições firmes do TSE, STF, da Câmara dos Deputados e do Senado e até mesmo de grandes empresas de comunicação.

Guiomar prevê que o Governo Lula enfrentará forte oposição da direita neste momento em que o Brasil enfrenta crise econômica e social e que será necessário uma frente ainda mais ampla para poder governar.

Sobre os desafios das entidades sindicais: será a luta pela revogação da EC 95 e do teto de gastos, revogação ou revisão das reformas trabalhista e da previdência e o fortalecimento dos serviços públicos, principalmente nas áreas essenciais como da saúde, educação e segurança.

Guiomar lembrou a presença das Centrais sindicais na equipe de transição de governo onde participam a CTB, CUT, UGT e Força Sindical. Finalizou dizendo que é papel do movimento sindical brasileiro ser uma força ativa de mobilização e fazer o enfrentamento aos setores atrasados que tentarão enquadrar o futuro governo e impor as suas pautas mesmo que tenham sido derrotados nas urnas.

O evento está ocorrendo em Porto Alegre, no auditório da Fecosul.