As Associações Nacional e Gaúcha dos Produtores de Alho (Anapa/Agapa) realizam na sexta-feira (20/10), o 30º Encontro Nacional dos Produtores de Alho e o 2º Talk Show, a partir das 13h30min, no Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, Flores da Cunha. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, Olir Schiavenin, também presidente da Agapa e vice da Anapa, conta que serão discutidas as perspectivas para a cultura. Dentro deste contexto, o enfoque recairá sobre o futuro da produção de alho, tendo em vista a conjuntura internacional que faz o produtor enfrentar inúmeros problemas, entre eles as importações.

Com o lema Mercado, Novas Tecnologias e Custo de Produção, o encontro inicialmente abordará as novas tecnologias para mostrar de que forma ele pode produzir mais e melhor, com maior ganho e redução no custo de produção com rentabilidade. “Os palestrantes tratarão desde a escolha do terreno até a adubação, enfim, o passo a passo e as inovações para melhorar a produtividade”, observa.

Em relação a mercado, continua Olir, é outro tema que será tratado e se reveste de grande importância. O produtor ficará por dentro de como andam as importações, quais são as perspectivas de safra, preço e, inclusive, a situação do mercado brasileiro e internacional. “Vamos analisar os números da China, da Argentina e da Espanha, tendo por meta traçar um panorama para que o produtor tenha noção de como se comporta o mercado”, justifica.

O brasileiro consome cerca de 300 milhões de quilos de alho por ano, ou seja, 1,5kg per capita. Desse volume, o Brasil produz 45%, e os 55% restantes são provenientes da China (55%), Espanha e Argentina. Olir conta que o Brasil tem uma demanda grande para suprir a necessidade do consumo doméstico. Para ele, é muito difícil o Brasil se tornar autossuficiente na produção de alho, pois existem vários fatores impeditivos, tais como:

- A cultura do alho exige maior especialidade do que qualquer outra;

- Custo de produção é elevado, pois requer estrutura de irrigação e maquinário, sendo estimado na faixa de R$ 70 a R$ 80 mil/ha;

- O receio das importações com a validade da taxa antidumping (vence em 2018), que precisa ser renovada a cada quatro anos, sempre com a incerteza da renovação; 

- Topografia não-favorável, que exige rotatividade de culturas e busca por outros locais para implantar a lavoura.

Talk Show, uma novidade na edição anterior, será repetida, pois oferece aos produtores a oportunidade de interagir com os técnicos, num verdadeiro bate-papo para tirar dúvidas. Schiavenin projeta uma participação entre 400 a 500 produtores, inclusive com delegações de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais.

O dirigente destaca, ainda, o trabalho que a ANAPA está fazendo no sentido de garantir medidas de proteção na Lista de Exceções da Tarifa Externa Comum (LETEC) e antidumping contra o alho que entra no País, obedecendo regras e normas de comercialização brasileiras.

Fonte: Fetag-RS