Após quase quatro meses de intensa negociação, a assembleia geral da categoria, ocorrida, no último dia 9/12, aprovou a proposta de 2,55% de reajuste sobre os salários a partir de agosto (o INPC foi de 2,1%). Em tempos de reforma trabalhista, a vitória mais importante foi a manutenção das cláusulas sociais dos metalúrgicos barbosenses, o que significa uma barreira na convenção coletiva da categoria para alguns aspectos da reforma, como a jornada da categoria de 44 horas semanais e o adicional de horas-extras. A assembleia também aprovou a contribuição confederativa 2018, que permanecerá igual aos últimos quatro anos.

Apesar das dificuldades, o índice de reajuste foi um dos melhores do Rio Grande do Sul. A crise na economia e o risco de desemprego influenciaram na mobilização dos trabalhadores e isso também se refletiu na mesa de negociações neste ano."Fizemos uma campanha salarial de luta e resistência. Aqui, como em todo o Brasil, não foi fácil avançar na valorização salarial. Garantimos um índice de 0,46% de aumento real retroativo a agosto. Cabe ressaltar que a patronal havia oferecido 2,5% sem pagar todo o retroativo", explicou Todson.

O assessor econômico do Sindicato, David Fialkow Sobrinho, ressaltou que a proposta garante o INPC e aumento real em um período em que a maioria das categorias profissionais enfrentam dificuldades para atingir a inflação e manter seus direitos.

Outro avanço importante foi o índice de reajuste no piso da categoria, que ficou em 8%, neste caso com aumento real de quase 6%. Trata-se de uma conquista importante já que faz aumentar a base salarial da categoria e ajuda a inibir a rotatividade.

Cláusulas sociais: metalúrgicos mantém direitos conquistados há décadas

Uma vitória foi a garantia de que as conquistas sociais dos metalúrgicos barbosenses, como o adicional de horas-extras, o quinquênio, auxílio-creche e a jornada de trabalho, entre outras, não serão mexidos até a próxima negociação, em 2018. São direitos assegurados no acordo coletivo que barram alguns dos retrocessos da reforma trabalhista de Temer, que entrou em vigor em novembro.

Também foi assegurada na negociação deste ano a cláusula que estabelece validade do acordo coletivo por até três meses após a data-base no próximo ano, ou seja, até 11 de novembro de 2018. O objetivo é que, caso a negociação perdure por mais tempo, a categoria mantenha suas conquistas sociais resguardadas até a assinatura da próxima convenção coletiva.


Ampliar a luta contra as reformas de Temer

O presidente da Fitmetal, Marcelino Rocha, acompanhou a assembleia. Ele fez um alerta sobre a necessidade de mobilizar a categoria e os trabalhadores em geral contra as reformas.

Marcelino informou que nestes próximos dias deverá ocorrer uma grande mobilização no Brasil contra a reforma da Previdência, que visa liquidar com a aposentadoria do trabalhador. "Temer e (Rodrigo) Maia (presidente da Câmara) pretendem colocar este retrocesso em votação ainda em dezembro, mas com a nossa mobilização não vamos permitir este triste presente de Natal para a classe trabalhadora. Não aceitamos mais este grave retrocesso", declarou.


Confederativa 2018

Com o entendimento de que o momento exige cada vez mais mobilização da categoria e a manutenção da força da entidade de classe dos trabalhadores, a assembleia aprovou por unanimidade a contribuição confederativa para 2018. Ela seguirá com o mesmo valor praticado nos últimos quatro anos e mesma premiação.

"Um dos grandes desafios que teremos nos próximos meses é debater a manutenção das nossas lutas. Precisamos de sindicato fortalecido. Porque sem sindicato, ficamos sem direitos", alertou Todson.

Para ele há, mais do que nunca, a necessidade de unir cada vez mais os trabalhadores e as trabalhadoras em prol de um Sindicato forte e representativo, já que a nova lei trabalhista veio para aniquilar direitos e enfraquecer a organização dos trabalhadores.

"A mídia e os patrões fizeram o trabalhador acreditar que se deveria acabar com a contribuição sindical da classe trabalhadora. Porém, eles, os patrões, seguirão contribuindo com o Sindicato patronal (o deles), que se manterá forte. Com a entidade de classe dos metalúrgicos enfraquecida quem vai ganhar?”, questionou. 

Algumas das cláusulas sociais dos metalúrgicos, asseguradas no acordo:

- Jornada de trabalho de 44 horas semanais, de segunda à sexta

- Horas-extras com 50% de adicional até 22h mensais, 100% de 23h a 60h mensais e 130% nas horas excedentes às 60h mensais

- Licença maternidade de 180 dias pelo programa Empresa Cidadã

- Percentual de desconto no transporte de 3,5%

- Quinquênios

- Estabilidade de 12 meses na pré-aposentadoria

- Auxílio-creche ate os 5 anos da criança

- Piso mínimo da categoria profissional

- Intervalo de 1h para o almoço


Fonte: Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa