A Greve Geral convocada pelas Centrais Sindicais foi cuidadosamente preparada há mais de um mês. Os atos do Primeiro de Maio e as grandes manifestações de 15 e 30 de maio contra os cortes na educação contribuíram para ampliar a adesão à Greve Geral. Era perceptível que os trabalhadores estavam dispostos a paralisar suas atividades contra a tentativa do governo de acabar com a previdência pública. São insuportáveis os constantes ataques aos direitos, o desemprego, os cortes na educação e saúde e a ameaça de perdemos a previdência pública. Nos últimos 15 dias inúmeras categorias aprovaram em assembleias instalando um verdadeiro clima de greve geral no país.

O dia 14 de junho entrará para história do povo brasileiro como uma grande data de luta por direitos, resistência e bravura. Porém, lembraremos deste dia como um marco da repressão e da demonstração da face perversa do atual governador. Eduardo Leite e os comandantes da Brigada Militar sabiam que a perspectiva era de uma greve geral extraordinária em Porto Alegre e em várias cidades de grande e médio porte do nosso Estado. Sabiam que os rodoviários estavam descontentes com as demissões por justa causa aplicadas pelos empresários do transporte urbano de Porto Alegre, com as ameaças de extinção das atividades dos cobradores e com tabelas de horário que prejudicam a vida destes trabalhadores. Sabiam que segmentos importantes, afetados com as políticas nefastas do governo Bolsonaro estavam mobilizados, tais como os pequenos agricultores e trabalhadores rurais. Sabiam que os professores e estudantes não aceitam que a educação brasileira seja perseguida e tratada a “pão e água”.

Diante da possibilidade do sucesso da greve geral no RS, a Brigada Militar, orientada pelo governador, reprimiu com toda a força e sem nenhuma possibilidade de entendimento. Dirigentes sindicais, trabalhadores que aderiram à greve e estudantes foram massacrados na primeira hora da manhã. Organizamos uma manifestação pacífica e sem provocações. O nosso único propósito foi assegurar o direito de protesto e de greve. Afinal de contas essa é a única arma que nos resta. Porém, a Brigada Militar usou de tanta violência que nos lembrar os tristes tempos da ditadura militar.

Nada justifica a prisão de 54 jovens que não apresentavam nenhuma ameaça, sequer estavam com comportamento provocativo. Nada justifica a utilização de força desmedida contra homens e mulheres que incentivavam a população a aderir à greve geral. O uso de bala de borracha a queima roupa, a utilização de bombas de efeito moral e gás de pimenta, o emprego de cassetetes em pessoas indefesas e a atuação da cavalaria foram desproporcionais e desnecessárias.

Quando uma sociedade é submetida a governos que lhes dão as costas. Quando se nega o direito de protesto, manifestação e greve. Quando se ataca de forma tão vil a trabalhadores. Quando se desrespeita tão descaradamente o estado de direito. É certo que a reação da sociedade virá. Tenham certeza que não nos acovardaremos frente a governos que surrupiam direitos e utilizam seu aparato repressivo contra os trabalhadores.

As Centrais Sindicais denunciarão aos órgãos nacionais e internacionais a repressão ocorrida no RS no dia 14 de junho. A violência da Brigada Militar não nos silenciará. Nós das Centrais Sindicais aproveitamos para parabenizar a todos os dirigentes sindicais que se envolveram de corpo e alma para o sucesso desta greve. Queremos cumprimentar todos os trabalhadores e trabalhadoras que mesmo enfrentando o risco do desemprego aderiram a greve. Queremos abraçar os estudantes conscientes que cerraram fileiras conosco para tornar essa greve possível. Hoje plantamos mais uma semente de um Brasil que não se cansa de sonhar com um futuro melhor. Continuaremos em luta até derrotar a reforma da previdência e restabelecer a verdade e a democracia em nosso país.

Porto Alegre, 17 de junho de 2019

CGTB - CENTRAL GERAL DOS TRABALHADORES DO BRASIL

CSP – CONLUTAS – CENTRAL SINDICAL E POPULAR

CSB – CENTRAL SINDICAL DO BRASIL

CTB – CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

UGT – UNIÃO GERAL DOS TRABALHADORES

NCST - NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES

PÚBLICA CENTRAL DO SERVIDOR