Tomou posse na manhã desta sexta-feira (21/fev) nova Diretoria da FETAG/RS. A chapa eleita em 14 de janeiro, que reconduziu o presidente Carlos Joel da Silva, obteve 98% dos votos válidos. A Gestão 2020/2024 apresenta mudanças importantes com destaque à paridade de homens e mulheres nos cargos de diretoria.

Tão importante quanto a ampliação do espaço para as mulheres foi a renovação cuidadosamente equilibrada de todo o quadro dirigente, que passa a contar com jovens lideranças no exercício de funções estratégicas, e o rodízio nos cargos entre os diretores e diretoras mais experientes que permaneceram, como é o caso do Vice-Presidente Estadual dirigente Nacional da CTB, Sérgio de Miranda que passa a ocupar o cargo de 1º Tesoureiro.

A importância econômica da agricultura familiar e o peso político da FETAG/RS ficou ainda mais evidente com a presença de autoridades de todas as esferas do poder público e de dirigentes outras entidades.

A solenidade de posse contou com as presenças do Governador do Estado Eduardo Leite, o Presidente da Assembleia Legislativa Deputado Estadual Ernani Polo e de seus colegas de parlamento Edson Brum, Elton Weber e Zé Nunes, além do Deputado Federal Heitor Schuch representando a Câmara dos Deputados por delegação do Presidente Rodrigo Maia e o Senador da Republica Luis Carlos Heize. Também compareceram o prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Junior, Representantes do Ministério da Agricultura, secretários estaduais, vereadores e prefeitos de vários municípios.

No âmbito das representações sindicais, destacamos a presença do presidente da CONTAG Aristides Veras dos Santos, da CONTAR Gabriel Bezerra Santos e da FETAR/RS Nelson Wild.

A CTB foi representada por Vicente Selistre que é membro da Direção Nacional e presidente do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom.

Dentre as muitas saudações e felicitações à direção, em especial ao presidente Carlos Joel, cabe destacar algumas manifestações importantes:

Governador Eduardo Leite destacou a importância da agricultura familiar e agradeceu a colaboração da FETAG na modernização do Código Ambiental e que os empreendedores rurais merecem e terão todo o apoio do Governo do Estado e que outras medidas estão sendo tomadas para melhorar as condições de investimento no estado.

Em relação às dificuldades financeiras que o estado atravessa, Eduardo Leite culpa os gastos com o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores, principalmente de professores (sem citar outras categorias). Faz um comparativo com o Maranhão, informando que o estado nordestino possui a proporção de dois servidores ativos para um aposentado, enquanto a realidade do RS é a inversa. Segundo Leite, no RS há 50 mil professores atuando e 100 mil recebendo aposentadoria.

Gabriel Santos da CONTAR e Aristides Veras dos Santos da CONTAG focaram suas falas nos ataques sofridos pela classe trabalhadora. Gabriel citou a retirada de direitos provocada pelas reformas Trabalhista e da Previdência e a necessidade de união das entidades sindicais em todos os níveis para evitar ainda mais retrocessos.

Já Aristides da CONTAG, se solidarizou com os agricultores familiares que sofrem com a estiagem que assola o estado. Discorreu sobre sua experiência pessoal e familiar, já que é nordestino e sua família reside em uma região que em período normal chove poucos meses por ano e que em período de seca chagam amargar cerca de três anos sem chuva.

Ao saudar a diretoria eleita, mencionou a CTB na figura do Sergio de Miranda que permanece na Diretoria. Protestou com veemência contra a extinção do MDA e aproveitou para denunciar a reforma sindical cujo projeto tramita no congresso nacional, alertando para o enorme retrocesso que sua aprovação representará para toda a classe trabalhadora, conclamando a todas as entidades sindicais que se unam, se mobilizem e derrotem esta medida que poderá liquidar de vez as entidades sindicais.

Deputado Federal Heitor Schuch falou sobre a importância do PRONAF e disse que a unificação do Plano-safra privilegia os grandes produtores e prejudica o agricultor familiar.

Justificou sua opinião dando um exemplo pessoal, onde ele que possui uma pequena propriedade de quatro hectares não pode ter o mesmo tratamento de um vizinho que possui quarenta, nem de um colega deputado que possui mais mil hectares.

Neste caso, o grande proprietário tem condições de adquirir maquinário e insumos com preço mais baixo, além de vantagens na comercialização em razão do volume produzido. Resumiu dizendo que não se pode dar tratamento igual para quem possui condições tão diferentes.

Para fazer frente a esta desigualdade, além de defender um Plano-safra específico para a agricultura familiar, pregou o fortalecimento das cooperativas que representam um importante instrumento para reduzir as desigualdades entre os grandes e pequenos produtores.

Carlos Joel agradeceu à sua diretoria anterior e saudou os novos colegas de gestão. Falou sobre a importância do reconhecimento da ONU que decretou este período como a década da agricultura familiar. Na mesma linha da fala de Schuch, defendeu o fortalecimento do cooperativismo.

Destacou a competitividade como o principal desafio da agricultura familiar. Aproveitou a presença do Governador do Estado e reclamou da falta de politicas agrícolas de médio e longo prazo.

Em que pese às dificuldades do momento em que os agricultores familiares sofrem com este longo período de estiagem, se revela otimista e motivado para os desafios desta nova gestão.