Debater a conjuntura atual pós-eleição e os novos desafios para os trabalhadores e as trabalhadoras foi o objetivo de um encontro com lideranças da fronteira oeste do qual participou o presidente da CTB RS, Guiomar Vidor, nesta quarta-feira, 9 de novembro no Sindicomerciários Uruguaiana. Estiveram presentes representantes das áreas do comércio, dos serviços, da educação, do transporte e dos assalariados rurais.



Para Vidor, a vitória eleitoral da frente ampla com Lula é histórica e tem repercussão mundial pois interrompeu um governo fascista e destruidor dos direitos sociais e trabalhistas.


Mas, segundo ele, "é preciso estar preparados pois o governo Lula enfrentará forte oposição de direita em um país com crise econômica e social. Precisa também de frente ampla para governar." 


Ainda, para Vidor, o maior desafio do futuro governo agora é construir base de apoio no Congresso para aprovação das medidas emergenciais, como o bolsa-família de R$ 600, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e o aumento real do salário mínimo.


O PAPEL DO MOVIMENTO SINDICAL


Guiomar destacou que há muito o que recuperar em direitos que foram perdidos e também é preciso pensar no futuro do trabalho e como isto acarretará em mudanças na relação entre capital e trabalho. "O movimento sindical deverá desempenhar papel estratégico de mobilização e pressão para que o governo e o congresso aprovem as pautas de interesse da classe trabalhadora, que são benéficas para toda a sociedade, como a retomada do projeto nacional de desenvolvimento, dos empregos, da industrialização, das obras de infra-estrutura; além do investimento em educação e formação profissional, na saúde, na cultura e segurança", disse.


Sobre as tentativas de golpistas, elas preocupam, mas não devem prosperar, segundo ele. A frente ampla inclui posições firmes do TSE, STF, dos presidentes da Câmara e do Senado, e de grandes redes de comunicação.


A CTB RS deve seguir debatendo o reposicionamento do Brasil e da luta dos trabalhadores nesta nova conjuntura, reunindo sindicatos filiados e os trabalhadores em geral. "É importante que tenhamos uma forte agenda de lutas, que vai da defesa da democracia até a recuperação dos direitos e a consolidação de um projeto de nação que interessa à maioria da sociedade, às mulheres, negros e negras, LGBTQIa+, às demais minorias e aos trabalhadores e trabalhadoras", completou Guiomar.