A CTB abraça a todas as mulheres de CLASSE! Viva a luta das mulheres!
Neste 8M de 2018, queremos destacar a importância do processo da resistência, da rebeldia e luta das mulheres brasileiras.

As marchas das Margaridas, das Mulheres Negras, das Vadias e o 8M de 2017 — que unificaram as mulheres do mundo com a greve internacional, juntando, desta forma, as trabalhadoras do campo e da cidade, feministas negras e feministas de diversas correntes, movimentos de mulheres e movimentos sociais —, tiveram grande protagonismo das mulheres em suas diversas matizes. Estes eventos antecederam o 8M de 2018, que estamos construindo com muitas mentes e corações, buscando manter a amplitude e a unidade.
Desde 2016, quando nossa democracia nos foi roubada, convivemos com o aumento da violência contra as mulheres, com o aumento do desemprego, o crescimento significativo do feminicídio contra as mulheres negras e também somos o país onde mais mulheres trans são assinadas.  

O momento político que atravessamos é de conservadorismo e implementação de um projeto ultraliberal que retira direitos trabalhistas, elimina direitos sociais e busca acabar com a soberania nacional entregando nossas riquezas e privatizando o patrimônio público brasileiro.

Estamos nas mãos de um presidente ilegítimo sem nenhuma popularidade que, na intenção de obtê-la, resolve fazer uma intervenção militar no Rio de Janeiro, atingindo violentamente as mulheres, crianças e a juventude negra. Temer mostra que sua aliança é com as Forças Armadas, com o Exército, com a repressão, com as forças reacionárias e não com as mulheres e homens que têm o direito ao voto e, portanto, o direito de escolher seus representantes em eleições diretas.

História de lutas

Os machistas de plantão apostam que não temos o que dizer. Ledo engano: somos mulheres que transformam o mundo todos os dias, desde milhares de anos, em todos os lugares que estamos.

A palavra e a cultura têm um poder ancestral que herdamos de Aqualtune, Rainha Nzinga, Dandara, Safo de Lesbos, Joana D'Arc, Felipa de Souza, Elenira do Araguaia, Elza Monerat, Loreta Valadares, Lelia Gonzales, Mãe Menininha do Gantois, e tantas outras que batalharam e batalham cotidianamente para sustentar suas filhas(os), netas(os) e para que suas comunidades, terreiros, famílias, tenham políticas públicas de qualidade nas escolas, postos de saúde, creches, enfim, tenham condições de ter uma vida digna, com salário justo, respeito, equidade, justiça social e igualdade de direitos e oportunidades para todas e todos.

Apesar de toda nossa história de lutas, se fizéssemos um exercício de mapear os dez nomes que mais aparecerem nos livros escolares, dificilmente aparecerá o nome de uma mulher entre eles. Com a exceção da princesa Isabel, que aparece como a libertadora da escravatura — em que pese isso não seja verdade, pois quem libertou as(os) escravizadas(os) foi organização de mulheres e homens negras(os), sua resistência e luta. O Brasil ”parece” ter tido uma história parida exclusivamente por homens brancos, negando completamente a existência das mulheres e homens indígenas que são as(os) verdadeiras(os) donas(os) da terra e das grandes lideranças negras como Aqualtune, Dandara, Zumbi dos Palmares e tantas outras que aparecem na história como subservientes, e na verdade foram as(os) grandes heróis e heroínas da resistência e luta do povo brasileiro.


Por tudo isso, conclamamos a todas as mulheres para irem para as ruas neste 8 M. Coloque um adesivo, pare a produção no seus locais de trabalho, bote a boca no trombone, no megafone, no microfone, em todos os espaços, pois não podemos permitir que nos tirem da história, que nos apaguem dos mapas, que nos tornem invisíveis na política, que queiram calar a nossa voz.

Não voltaremos para as prisões!
Não voltaremos para os fogões!
Não voltaremos para as senzalas!
Não voltaremos para os armários!

REBELE-SE!
Silvana Conti - Professora aposentada da Rede de Ensino de POA, Vice-Presidenta da CTB/RS