A audiência de mediação na 4ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul, entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região e a Dambroz S.A., ocorreu na manhã desta quarta-feira, 30 de janeiro, com mediação do Juiz Rafael da Silva Marques. Ficou definido os valores para pagamento das verbas rescisórias: em 22 de fevereiro, parcela de R$ 2 mil; em 22 de março de R$ 3 mil; e, em 22 de abril, o valor do salário integral do trabalhador até o limite de R$ 5 mil (líquido).

A primeira oferta da empresa foi de dividir os trabalhadores em duas categorias. Os que haviam sido demitidos em 2017 receberiam R$ 1 mil em seis vezes, com o restante de valores a serem negociados após esse prazo. Os demitidos em 2018 receberiam R$ 1.250 até a data da próxima audiência agendada para março.

O Sindicato não aceitou a proposta. O presidente, Assis Melo, a avaliou como “migalhas”. “Se há investidor, ele precisa pensar primeiramente no trabalhador. Depois em matéria-prima. Se quer investir em uma empresa, investe primeiro em material humano. A empresa precisa apresentar uma proposta melhor e garantida. Nós não vamos aceitar migalhas”, enfatizou.

Proposta aprovada

O Juiz apresentou uma proposta para ser debatida entre as partes. Após a analise dos números apresentados o acordo foi selado.

“Essa proposta não é a ideal. Mas, vamos aceitá-la. Vamos demonstrar o nosso não-radicalismo. Esperamos o cumprimento do pagamento. Não posso abrir mão das minhas convicções. Caso contrário, é barraca na porta da fábrica”, acrescentou o presidente.

Sindicato Forte

Alguns ex-trabalhadores da empresa acompanharam a audiência. Pedro Caldato, que trabalhou por 20 anos na Dambroz, ressaltou o papel do Sindicato. “Querem acabar com os Sindicatos. Mas, se não tivesse o Sindicato, eles iam pagar o que quisessem e quando quisessem, se pagassem”, avaliou o metalúrgico.

A Dambroz deve as verbas rescisórias para cerca de 40 trabalhadores, demitidos em 2017 e 2018 e está em recuperação judicial desde 2014.