David Fialkow Sobrinho é Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor universitário, assessor, perito e consultor.

O 9º Congresso da Fecosul, realizado no último mês de abril, aprovou o plano de lutas e algumas resoluções que dizem respeito aos anseios dos trabalhadores no comércio e serviços. Para esclarecer os sindicatos e a categoria, a Fecosul estará pontuando algumas das lutas em uma série de reportagens com especialistas em cada assunto.


O plano de lutas e resoluções tem por objetivo unificar os trabalhadores do comércio de bens e serviços para novas conquistas. Algumas das questões defendidas pela Fecosul são: luta pela continuidade de uma política pela valorização do salário mínimo nacional e piso regional; por políticas de desenvolvimento sem prejuízo à saúde, educação e emprego; luta contra a reforma sindical, trabalhista e previdenciária; pelo fim do fator previdenciário e por aposentadorias justas; participar de ações pela valorização da imagem social da mulher; pelo fim do banco de horas, pela redução da jornada de trabalho; dentre muitas outras. 


Nosso primeiro tema do plano de lutas a ser abordado será: Participação nas lutas por mudanças na macroeconomia, por um projeto nacional democrático e soberano que garanta o desenvolvimento, emprego e valorização do trabalho; apoio e participação no movimento Grito de Alerta em defesa do emprego e da indústria nacional. Para falar da importância dessas ações conversamos com o economista David Fialkow Sobrinho.  


David, como você vê a participação do movimento sindical no movimento Grito de Alerta em Defesa do emprego e da indústria nacional? 


Vejo como fundamental. Afinal, nos tempos atuais, há uma pauta afirmativa, em plano nacional, de interesse direto dos trabalhadores, que é a de lutar pelo desenvolvimento do país com valorização do trabalho. Se o Brasil não tiver uma economia forte, os empregos encolhem, as vendas também e, em conseqüência, os trabalhadores têm menor poder de barganha. Só economia forte não garante trabalhador valorizado, mas economia fraca é o caminho para perdas em empregos, salários e condições de trabalho, como se viu na década de 90, com o país em semiestagnação, a partir de dois governos neoliberais de FHC. Hoje, a especulação financeira ameaça a saúde de nossa economia. 


O trio mortal de juros altos, dólar baixo, impostos elevados é um perigo e só ajudam os bancos e as empresas de outros países. É preciso urgentemente baixar os juros, melhorar o câmbio (dólar mais caro) e reduzir os impostos, que o governo Dilma vem fazendo, ainda meio lentamente, mas fazendo, que é o que importa. Falta ainda o governo gastar menos com os bancos e mais com investimento, melhorando o ensino e a infra-estrutura, para dar maior competitividade à indústria e elevar a renda do trabalhador, criando mercado para o comércio. Por isso, acho um sinal de maturidade o movimento sindical participar do movimento em defesa da indústria nacional. 


E qual é importância da unidade dos trabalhadores com os empresários em defesa das mudanças na macroeconomia?


Essa unidade é importante porque há muita resistência a essas medidas. O setor financeiro é o que mais ganha com o trio mortal, não quer mudar nada, e é muito forte, tem tentáculos até do exterior poderosíssimos. Têm força na TV, na imprensa, na internet, nas universidades, em tudo.  Só a unidade pela produção pode salvar o Brasil. Sem unidade popular pela produção, os financistas derrotam a mudança. Há empresários do próprio setor produtivo que ainda se deixam levar pelos banqueiros e imaginam como saída para o país arrochar mais o trabalhador. 

Essa postura individualista deles, de jogar a culpa no trabalho, já se mostrou injusta socialmente e também ineficiente do ponto de vista da economia, afinal o Brasil passou a melhorar com a valorização do Salário Mínimo e não com o arrocho, como nos anos 80 e 90. Hoje passamos a ser a sexta economia do mundo, indo para quinta. 

Como essas ações afetam a vida do trabalhador?


Uma indústria forte melhora o quadro da economia. Ilude-se quem pensa que o comércio não tem nada a ver. Se a indústria fraqueja, diminui a competitividade, caem os empregos, diminuem os salários, o que reduz o mercado interno, que é a fonte de todas as compras do comércio. A visão de médio e longo prazo precisa fortalecer-se. O movimento sindical precisa de ações de alcance estratégico, ao mesmo tempo em que faz a defesa dos anseios imediatos dos trabalhadores.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Fecosul