A juventude trabalhadora da CTB proporcionou um belo debate, na tarde do dia 25/1, na tenda central do acampamento, no Parque da Harmonia, quando dezenas de militantes estiveram presentes no evento marcante do Fórum Social Temático. Com a coordenação de Vitor Espinoza, palestraram o economista e professor da UFRGS, Pedro Fonseca; o secretário executivo da Comissão de Jovens da Coordenadoria das Centrais Sindicais do Conesul, Martín Pereira; e o sociólogo e secretário de política para a Juventude Trabalhadora da CTB, Paulo Vinícius Silva.

"O capitalismo está ruindo desde a década de 70 quando houve a tal da prosperidade que começou a partir de 1945, quando acabou a Segunda Guerra Mundial. Foi necessária a destruição de toda a Europa e mais de 40 milhões de mortos para que o capitalismo, àquela época, desse um passo atrás e voltasse a permitir a retomada do ciclo de acumulação do capital. Marx, primeiro, e depois Lênin, explicavam que o processo de crise só tem fim quando você destrói uma imensa quantidade de forças produtivas. E qual é a força mais produtiva? É o homem e a mulher. Curiosamente, ao final das crises ocorrem guerras terríveis para destruir as forças produtivas e permitir que o processo se reinicie. O capitalismo, na verdade, é a ausência de qualquer direito, é a exploração sem fronteiras. É isso que significa a liberdade de mercado, analisou Paulo Vinícius no painel denominado "Juventude e a crise capitalista".

"Tem uma economia aí que dá as cartas mas está fora do mundo real, com suas regras próprias e um potencial de desestabilização terrível de crises que pode criar. Essa é a realidade do neoliberalismo que está em crise nesse momento. Eles estão tentando solucionar emitindo moeda e jogando bomba. Fazendo guerra, que é o que eles sabem fazer. Mas eles também fazem isso de uma maneira muito sutil na disputa das nossas consciências porque existe um fenômeno nessa crise do capitalismo. O fenômeno das manifestações dos indignados de todo o mundo, que se levantam", afirmou.

"Curiosamente, no relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2009, a respeito do emprego para a juventude, apontava uma taxa de 19,9% de desemprego para a Europa e taxas altíssimas no Oriente Médio e norte da África, tanto que não havia sequer a perspectiva da retomada dos empregos. Pois foi exatamente ali que explodiu a ‘primavera árabe’. Havia a esperança de que a Europa se recuperasse, mas isso não aconteceu e também houve revolta", afirmou o dirigente nacional da CTB. "Os Estados Unidos é a maior das ditaduras, porque é a ditadura do capital financeiro, dos petroleiros e da indústria militar. Esses são os setores dinâmicos, junto com a informação, da ditadura capitalista. E é com base neles que os Estados Unidos mantêm o seu poder", acusou o dirigente da CTB.

"Há um direito aos povos da América do Sul que nunca nos foi dado, que é o direito ao desenvolvimento. Nós não somos os culpados pela catástrofe ambiental. É mentira. Existem culpados pela catástrofe ambiental, pela crise capitalista: é a burguesia financeira, militarista e petroleira. Eles é que são os culpados", denunciou. "Não vai ser matando os chineses de fome, não vai ser o povo brasileiro não tendo emprego e direito ao desenvolvimento, à indústria, à tecnologia, a usar as riquezas do nosso país para poder construir o seu futuro, que nós ajudaremos a humanidade a sair do impasse ambiental que ela enfrenta".

E advertiu: "Estamos vivendo um momento de mudança, de declínio da Europa e dos Estados Unidos. E por outro lado já surgem pólos geopolíticos, porque a civilização chinesa, a África do Sul e a América Latina se levantam. Nós hoje temos como lutar unidos. Temos como sair desse processo mais unidos. Todos os governos da América Latina podem nos dar uma perspectiva de união nesse mundo para ocupar um lugar digno. E nós não faremos isso sem energia. Não faremos isso tendo o Pré-Sal e a Amazônia sem ter forças armadas que possam defendê-las. Não faremos isso com a juventude desempregada, sem o massivo investimento em educação ou se aceitarmos que organizações financiadas pelo imperialismo venham aqui dizer como é que nós devemos desenvolver o país. É uma armadilha que visa fazer o que houve na Líbia. E aí quando chegar as tropas da OTAN, quem nos defenderá? Serão os teco-tecos que a gente tem? Quem defenderá o Pré-Sal diante da IV Frota?", questionou.

"Temos um problema gravíssimo. Estamos diante de várias minas de ouro poderosíssimas. E o inimigo está à espreita e já mostrou o que é capaz de fazer para poder conquistar as riquezas alheias. Se eles são capazes de matar entre 450 mil a 1 milhão de pessoas no Iraque, mataram uma geração inteira para se apropriar do petróleo iraquiano, o que não serão capazes de fazer para se apropriar do Pré-Sal e da Amazônia brasileira?", advertiu o dirigente da CTB. "É muito importante defender o meio ambiente, mas se a gente não puder defender a soberania do Brasil, assim como destruíram todo o meio ambiente que puderam para ganhar dinheiro, ao contrário de nós, que preservamos mais do que o mundo inteiro, eles virão aqui dizer como a gente deve fazer, nos dar ordens nesse momento em que o país pode dar um salto de crescimento econômico", assinalou.

"Temos que ter cuidado com esses inimigos não tão claros que existem no caminho e, sobretudo, temos que entender que é preciso acabar com essa aliança venenosa do nosso governo com o capital financeiro. É preciso que o povo entenda quando custa isso. Não contribuiremos para superar a crise do capitalismo pagando 47% do orçamento da União para os banqueiros por causa da dívida pública. É preciso um pacto que reúna quem produz e quem trabalha, a fim de isolar o setor elitista que é o principal responsável pela crise que a humanidade vive hoje", encerrou Paulo Vinícius.

"Esse debate que vocês, da juventude trabalhadora da CTB, promovem, é de extrema importância porque hoje há uma realidade totalmente diferente da que vivemos. As transformações que ocorreram no mundo do trabalho não são das máquinas ou das novas tecnologias. O que nós observamos é que a grande maioria da mão de obra em todos os setores da sociedade, é composto por jovens. Então, para a CTB é essencial fazermos com que a juventude participe cada vez mais de forma ativa no processo da organização da luta dos trabalhadores. Desta forma, estaremos cada vez mais inseridos na consciência das pessoas para as transformações sociais que nós queremos para a sociedade brasileira e mundial na construção da sociedade socialista", afirmou o presidente da CTB-RS.

"A CTB defende o projeto nacional de desenvolvimento com a valorização do trabalho, a distribuição de renda e a inclusão social. Por isso, nos orgulha ver nossos jovens trabalhadores como lutadores sociais empenhados com vontade em construir uma nova sociedade aglutinadora e inclusiva, que é a sociedade socialista", finalizou Guiomar Vidor.


Emanuel Mattos – CTB-RS