Vicente Selistre faz seu primeiro discurso, logo após a posse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT), deu posse ao deputado federal Vicente Selistre (PSB), na seção realizada na tarde de segunda-feira (2/7), em Brasília. Ele assume em substituição a Manuela d'Ávila, (PCdoB) que se licenciou para concorrer à Prefeitura de Porto Alegre. Selistre atuará na defesa dos direitos dos trabalhadores e pela garantia dos sindicatos de fiscalizar e proteger os trabalhadores em caso de falência das empresas. O parlamentar apresentará proposições neste sentido e pedirá audiência nos tribunais na busca de soluções que afetam trabalhadores gaúchos. 


“O mundo do trabalho será a minha luta”, antecipou, dias antes da posse. “Vou debater com a CTB e as demais centrais sindicais quais serão as prioridades de meu mandato”. Entre elas, o deputado federal, suplente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) lembrou algumas: negociações coletivas, combate à terceirização, a luta pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o fim do fator previdenciário e o projeto nacional de desenvolvimento com a valorização do trabalho.

Advogado formado em 2000 pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e sapateiro, o novo deputado se descreve como “um homem simples, lutando por causas de grande importância”. Vicente Paulo de Oliveira Seliestre nasceu na localidade de Monjolo, município de Santo Antônio da Patrulha, mora em Campo Bom desde 1984. Lá, conheceu sua esposa Silvana, com quem tem dois filhos: Natana e Pedro Antônio. “Minha grande paixão é a família”.

Como presidente do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom, pratica a democracia direta com a categoria. Há dez anos são realizados dois plebiscitos, um na data-base sobre as reivindicações e outro em dezembro sobre os investimentos a serem priorizados pela direção, com os recursos que os trabalhadores recolhem para o sindicato. Além dessa inovação, Vicente assegura espaço amplo para as mulheres, os jovens e os aposentados.


Trajetória política


Em 1996, foi um dos vereadores mais votados de Campo Bom, já pelo PSB. De 1997 a 2000, teve atuação destacada no parlamento com ação fiscalizadora, inclusive tendo sido relator e presidente em três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que defendia a moralidade e transparência na aplicação do dinheiro do povo, além de proposições em defesa da educação infantil (creches), emprego, saúde pública qualificada e gratuita, além de moradias populares.

Em 2003, foi convidado a desenvolver um trabalho na bancada do PSB na Assembléia Gaúcha, onde começou a desenvolver um trabalho voltado à defesa do Piso Salarial Estadual, dos Sistemas Locais de Produção, especialmente do Setor Coureiro-Calçadista onde continua até hoje.

Em 2008 foi candidato a prefeito de Campo Bom quando obteve 14.712 votos - 40% do eleitorado. Em 2010, concorreu à Câmara Federal e totalizou 14.941 votos, que o colocou na condição de suplente da coligação PSB/PCdoB. Essa é a segunda vez que Vicente assumirá a cadeira de deputado federal. Antes, permaneceu no cargo entre 3 e 31 de janeiro de 2011, período em que o deputado Beto Albuquerque deixou a Câmara para assumir a Secretaria dos Transportes do governo de Tarso Genro. 

Vicente Selistre cumprimenta a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erondina, também deputada federal pelo PSB.


“Pretendo, também, acompanhar de perto os cinco projetos que cheguei a encaminhar naquele período, todos destinados a valorização dos trabalhadores e a melhoria da legislação trabalhista”. Consciente de que ocupará a cadeira de Manuela d’Ávila, Vicente faz questão de assegurar que defenderá, também, as propostas encaminhadas pela deputada do PCdoB. 

"A política existe para defender os valores da vida, da igualdade e da felicidade entre os seres humanos. Estou na política porque acredito que estes valores são alcançáveis e um direito de todos. É preciso mudar. É possível mudar”. É assim que o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom e vice-presidente nacional da CTB resume o seu entendimento sobre a forma de fazer política. A Câmara dos Deputados só terá a ganhar com a presença de mais um representante da classe trabalhadora em Brasília.